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Romero Pereira
Architect
Project Director
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CENTRO CULTURAL TACARUNA
INTRODUÇÃOA
diversidade cultural do Brasil é reflexo natural da presença
multi-racial que moldou, ao longo dos séculos, o povo brasileiro.
Essa mistura de raças, cores e sons encontra especial receptáculo
no Nordeste brasileiro, região pobre do país que talvez
por isso mesmo tenha preservado de maneira surpreendente suas raízes
culturais e absorvido, mais tarde, outras influências trazidas pela
globalização que foram devidamente tratadas e assimiladas,
não em substituição ao fazer local, mas como seu
complemento. Este processo gerou inusitadas soluções no
campo da produção cultural, notadamente nas artes plásticas,
música e cinema.
Pernambuco e sua capital, a cidade do Recife, representaram, e ainda representam,
a vanguarda desta produção. Por sua posição
geográfica estratégica o Estado de Pernambuco recebeu, desde
o período colonial, as mais diversas influências dos
escravos africanos que aqui vinham trabalhar nas plantações
de cana-de-açucar; da força multinacional comandada pela
holandesa Companhia das Indias Ocidentais que ocupou o território
pernambucano por 24 anos no século XVII; dos franceses nos séculos
XVIII e XIX, da forte presença comercial inglesa na segunda metade
do século XIX e nas primeiras décadas do século XX
e, finalmente dos americanos a partir da II Guerra Mundial. A situação
privilegiada do Recife como cidade-porto brasileira mais próxima
da Europa e da América do Norte gerou um fluxo constante de novas
idéias e tecnologias que viriam a consolidar o papel de relevância
que a cidade detém no cenário regional (nordeste brasileiro)
e nacional, muitas vezes com ecos no exterior do Brasil.
Foi na busca de um ponto de convergência e apoio para esta riqueza
cultural que surgiu a idéia de se implantar o Centro Cultural Tacaruna.
O novo Centro terá o importante papel de incentivar e divulgar
a produção cultural do Estado ao mesmo tempo em que profissionaliza
o fazer sob as suas mais diversas formas. O Centro deverá ser ainda
uma poderosa ferramenta turística e atuar como instrumento direcionador
do desenvolvimento urbano de parte estratégica da Região
Metropolitana do Recife.
EDIFÍCIO
Localizada na Avenida Governador Agamenon Magalhães, 5091, Recife,
Pernambuco, a Fábrica Tacaruna teve seu nome derivado da palavra
indígena itacoaruna que significa pedra do buraco negro. Está
associado ao sítio de densas matas onde eram armadas emboscadas
contra os holandeses no século XVII.
No final do sec. XIX inicia-se no Brasil um acelerado processo de desenvolvimento
industrial, onde destaca-se, em Pernambuco, o setor açucareiro
com a transformação dos antigos engenhos em usinas.
Em 1890 são iniciadas as obras de implantação da
Usina Beltrão, a primeira e mais moderna refinaria da América
do Sul, na área conhecida por Tacaruna, limítrofe entre
os municípios de Recife e Olinda. O projeto da usina primava pela
qualidade estética e técnica da edificação
observando, na sua concepção e construção,
detalhes até então pouco ou nunca utilizados como: uso do
concreto armado em um estabelecimento industrial; instalação
de luz elétrica; criação de cooperativa com sistema
de atendimento médico e construção de moradia para
os funcionários e operários da usina; e sistema de água
canalizada para a operação das máquinas da empresa.
Em 1895 as obras da Usina são concluídas.
Entre 1897 e 1899 a Usina Beltrão é comprada pela firma
Cunha & Gouveia, liderada pelo empresário Delmiro Gouveia.
A perseguição política a Delmiro Gouveia e sucessivas
crises no setor açucareiro, forçam a Usina a fechar suas
portas, assim permanecendo por 27 anos.
O conjunto edificado é adquirido, em 1924, pela Companhia Manufatora
de Tecidos do Norte que o transforma em indústria têxtil,
passando a se chamar Fábrica Tacaruna. Seu funcionamento é
considerado favorável no período de 1925 a 1955. O uso se
mantém até 1980 quando a produção diminui
vertiginosamente.
Em 1975 o controle acionário da Fábrica é assumido
pela Tecelagem Parayba do Nordeste. Em baixa produtividade, a Fábrica
passa a produzir cobertores a preços populares encerrando definitivamente
suas atividades industriais em 1992.
O conjunto fabril é tombado em 1994 como patrimônio histórico
e artístico pelo Governo Estadual e, em 1996 é declarado
de utilidade pública para fins de desapropriação.
Finalmente a partir de 1998 iniciam-se os estudos para a implantação
do novo uso Centro Cultural no conjunto da fábrica.
Estas transformações no uso do edifício são
emblemáticas e simbólicas, coincidindo com os ciclos econômicos
vividos pela região nos últimos 100 anos. O primeiro uso
usina de açucar representa o período agrícola;
o segundo indústria textil a transformação
econômica para a produção industrial de manufaturados;
e, finalmente, a proposta atual centro de cultura representa
o setor de serviços, aliando a produção cultural
com a moderna indústria do turismo.
Áreas
- conjunto edificado da Fábrica está implantado em terreno
com área total de 54.515,79 m_ (terreno da fábrica + terreno
de nove casas de antigos funcionários).
- edifício principal, que constitui a construção
original, tem uma área de 8.619,00 m_ com uma extensão
de 100 m. de comprimento por 40 m. de largura. Está dividido
em três alas: a ala central com seis pavimentos e com o relógio
no topo; a ala sul com três pavimentos, e a ala norte com 2 pavimentos.
Contígua à ala norte encontra-se a antiga chaminé
com pouco mais de 50 metros de altura.
Existem ainda diversos galpões posteriores à construção
original que ampliaram a fábrica nos sentidos norte, sul e oeste
em épocas distintas, perfazendo uma área de 12.873,70
m_.
- edifício original e as construções posteriores
somam uma área total construída de 21.492,70 m_.
A PROPOSTAO
Centro Cultural Tacaruna (CCT) será a fábrica do conhecimento
e da cultura do Nordeste do Brasil que surgirá na cidade do Recife,
Pernambuco, reunindo os diversos agentes promotores da cultura e representará
as diversas fases da produção cultural (formação
de agentes, documentação, criação, exposição
e comercialização de produtos culturais).
Nele estará permanentemente exposta a diversidade da paisagem cultural
pernambucana e a história do edifício que o abriga, e por
ele passarão temporariamente culturas e o trabalho de artistas
mundo afora. Artistas e produtores encontrarão um lugar para trabalhar,
pesquisar, aprender, mostrar e comercializar seu trabalho.
Visitando o Centro os pernambucanos terão a oportunidade de contar
e aprender sua história além de mostrar sua cultura a turistas
que serão convidados a viver a experiência de estar em Pernambuco,
porta do Nordeste e do Brasil.
Centro Cultural Tacaruna é a indústria textil de ontem
que se reinventa na fábrica do conhecimento e no monumento à
cultura que é a catedral das cidades do século XXI.
A intervenção que se propõe não deve somente
tornar-se um marco arquitetônico para a cidade, a região
e o país, mas também a peça articuladora que falta
ao território urbano onde se insere. Um equipamento que chegue
para agregar valor e beneficiar-se dos grandes geradores de fluxo: Centro
de Convenções de Pernambuco, Classic Hall, Playcenter, Espaço
Ciência e Shopping Tacaruna. Neste contexto caberá ao Centro
um dos papéis principais na conexão dessas funções
e como catalizador do processo de requalificação física
das áreas e comunidades localizadas no seu entorno.
A iniciativa de implantação do Centro Cultural Tacaruna
também se enquadra numa série de tendências recentes
de reestruturação econômica e social que configuram-se
em desafios atualmente enfrentados por cidades em várias partes
do mundo. O desenvolvimento dos potenciais da cultura vem consolidando-se
como um dos fatores chave para o posicionamento estratégico dos
territórios das cidades. Este processo está afetando tanto
os países desenvolvidos quanto aqueles em desenvolvimento, modificando
os arranjos tradicionais relativos às políticas de promoção
econômica, criação de empregos e desenvolvimento de
oportunidades sociais. Nesse contexto, diante da crise e necessidade de
reestruturação dos setores agrário e indústrial,
surgem oportunidades no setor de cultura associadas aos valores da nova
economia da tecnologia e do conhecimento.
A expansão e diversificação do setor turístico,
a criação de atrações culturais, e a produção
e estímulo aos novos serviços e indústrias da tecnologia
digital, têm nos recursos culturais um potencial que deve ser utilizado
dentro de uma perspectiva estratégica. Ao mesmo tempo, o aproveitamento
dos recursos culturais do território estão se definindo
como uma linha de ação importante no campo da criação
de emprego, da coesão dos territórios e da implementação
de políticas de qualidade de vida.
Neste sentido, o Centro Cultural Tacaruna foi concebido para ser:
- um centro cultural metropolitano a serviço do Estado de Pernambuco;
- um projeto estratégico para o desenvolvimento da Região
Metropolitana do Recife e para a dinamização cultural
do Estado;
- uma nova centralidade dentre as portas culturais do Brasil;
- um espaço para a formação e apresentação
da cultura de Pernambuco; e
- um lugar destinado à apresentação, produção,
formação e documentação cultural.Obejtivos
gerais
A criação e implantação do CCT está
associada à intenção do poder público de desenvolver
ações concretas com impacto de curto e médio prazo
no território, e como marco de uma programa de alto conteúdo
social de caráter transversal que:
- melhorem a competitividade do Recife e seu posicionamento nacional
e internacional;
- gerem riquezas a partir da reconversão das atividades em crise
e da captação das atividades emergentes (turismo, lazer,
tecnologia) como os serviços competitivos que demandam novos
perfis profissionais;
- promovam uma melhor articulação social, econômica
e organizacional entre a Região Metropolitana do Recife (RMR)
e o resto do território estadual; e
- propiciem a construção de espaços urbanos mais
compactos e menos verticalizados.As funções
O projeto de conversão do antigo complexo industrial no CCT marca
uma ação de governo, com a vontade de aproveitar os potenciais
e oportunidades que superam claramente a dimensão estritamente
cultural do projeto. Neste sentido o Centro terá uma infra-estrutura
cultural na qual é possível o funcionamento compatível
e coordenado de diferentes unidades de gestão, a serviço
de um projeto comum. Assim, o CCT deverá ser organizado de forma
a permitir que os vários serviços prestados integrem as
diversas unidades de forma coerente e clara, rapidamente identificada
e apreendida pelos seus usuários.
As funções que compõem o CCT serão:
Serviços centrais
1. Centro de Formação e Documentação
2. Centro de Exposições e Interpretação
2.1. Exposição permanente
2.2. Exposições temporárias
2.3. Centro de Interpretação
3. Espaços e Serviços Externos
3.1. Mostras e Feiras de Produtos Culturais
3.2. Espaço para Reuniões e Encontros de Pequeno Porte
3.3. Instituto do Terceiro Milênio
4. Administração do CCT
4.1. Conselho Gestor
4.2 Administração
Serviços periféricos
5. Acesso, informações, alimentação, livraria
e lojas
6. Estacionamento
Outros serviços
7. Hotel
A dimensão urbanizadora da intervenção
A reabilitação da antiga Fábrica Tacaruna pressupõe
uma importante oportunidade de conversão urbanística do
modelo residencial-econômico de Recife. As áreas que constituem
o entorno do CCT são desarticuladas espacialmente, isoladas do
sítio da Fábrica. A fragilidade da continuidade do tecido
urbano, a falta de elementos de conexão entre a atividades residencial,
comerciais e de serviços, a superposição de barreiras
físicas para os pedestres, conferem ao contexto urbano onde se
insere o CCT características comuns de conglomerado de fronteira
urbana. Por isso mesmo, a intervenção proposta torna-se
uma ótima oportunidade de tratar esses problemas, promovendo desenvolvimento
e mudanças no modelo urbanístico do setor.
Assim, sugere-se que a operação seja abordada também
na sua dimensão urbanística, como marco de desenvolvimento
de um processo de mudança nesta área da Região Metropolitana
do Recife. O conjunto de ações em implantação
(Porto Digital e Olinda, Cidade Patrimônio da Humanidade/BID) e
os projetos de recuperação pública da frente marítima
(do Bairro do Recife - núcleo original da cidade, até Olinda),
apontam a dimensão da oportunidade de supor que o CCT integrará
as funções que compõem seu entorno imediato definindo
um espaço marcado:
- pela atratividade de uma rede urbana composta, diretamente, pelo Centro
de Convenções de Pernambuco, Playcenter, Classic Hall
(casa de shows), Shopping Tacaruna, Espaço Ciência, Parque
Arcoverde (atividades de lazer) e áreas residenciais de poder
aquisitivo diverso; e, indiretamente, pela proximidade com o Bairro
do Recife (Porto Digital e área revitalizada), a Bacia do Beberibe
(Nascedouro de Peixinhos e saneamento de comunidades de baixa renda)
e Olinda (Colina histórica);
- pela possibilidade de integrar os espaços naturais protegidos
da frente marítima (Coqueiral de Olinda) e novas zonas urbanizadas
(Vila Naval e Matadouro de Peixinhos;ß pela possibilidade de viabilizar
parte das operações relacionadas ao espaço público
mediante gestão integral do projeto urbanístico geral,
definindo as unidades de atuação para novas habitações
e atividades econômicas; e
- pelo prestígio eventualmente associado à criação
de um novo espaço de convivência, no qual infra-estruturas
culturais e espaços públicos de qualidade atuem como motores
de mudança e permitam o desenvolvimento de um desenho urbano
funcionalmente diverso, compatível com as atividades terciárias
atrativas para empreendedores e profissionais, num modelo residencial
popular de promoção pública, mista ou privada.
Diante dessas perspectivas, o CCT será entendido e tratado, do
ponto de vista do projeto arquitetônico, não somente como
motor desse processo de mudança quanto como um importante articulador
das diversas funções urbanas do seu entorno e fator de
atração de novos usuários e investimentos para
o lugar.
Num nível mais detalhado, conforme mapa abaixo, salientam-se
também as seguintes ações que repercutem sobre
a área:
- a consolidação do Bairro do Recife como pólo
de lazer e diversão (Ruas do Bom Jesus e Moeda) e como ambiente
de negócios de tecnologia da informação e comunicação
(Porto Digital)(1);
- o desenvolvimento recente de um polo de comunicações
no quadrilátero de Santo Amaro (TV Globo, TV Guararapes, TV Universitária
e TV e rádio Jornal do Comércio)(2);
- o pólo de saúde do corredor Cruz Cabugá (Hospitais
de Santo Amaro e do Câncer)(3);
- o Espaço Ciência que atrai estudantes e pesquisadores
da Região Metropolitana do Recife, de diversos municípos
pernambucanos e de outros estados nordestinos (4);
- a presença do Shopping Tacaruna, que brevemente estará
ampliando suas instalações (5);
- a proximidade com a colina histórica de Olinda, Cidade Patrimônio
da Humanidade (6); e
- a intenção da Marinha Brasileira em redinamizar, num
futuro próximo, a Vila Naval com uso habitacional, comercial
e de serviços (7).
Financiamento e gestão
O modelo adotado para o gerenciamento do Centro Cultural Tacaruna é
o de uma Organização Social Autônoma, nova figura
jurídica que tem a vantagem de poder contar, entre seus mantenedores,
com instituições públicas e privadas. A Organização
Social Tacaruna será criada já para administrar a fase de
reabilitação do edifício, alterando seu organograma
de acordo com as fases de implantação do projeto, até
tornar-se a unidade gerenciadora responsável pelo funcionamento
do complexo.
Os recursos necessários à implantação do projeto
deverão ser aportados inicialmente pelo Governo do Estado, ao mesmo
tempo em que se desenvolve uma política de captação
de parceiros e investidores.
Fases de implantação
Fase 1
1. Implantação do núcleo de gestão e criação
da Organização Social Tacaruna.
2. Contratação dos projetos técnicos.
Fase 2
1. Montagem da equipe administrativa e técnica do Centro Cultural
Tacaruna.
2. Planejamento da gestão, financiamento e contratação
da obra.
3. Contratação do projeto museográfico.
Fase 3
1. Instalação dos equipamentos técnicos e mobiliário.
2. Planejamento e produção dos eventos de inauguração.
3. Elaboração de estratégias e programas de visitação.
Modelo teórico
de financiamento da manutenção
1/3 Recursos públicos.
- Aportes do Governo Federal e do Estado de Pernambuco
- Outros fundos e subvencões de procedência pública
e programas de cooperacão internacional.
1/3 Recursos provenientes de patrocínio.
- Patrocínios privados.
- Aportes relacionados à gestão do Hotel, Restaurantes e
outras locações comerciais.
1/3 Recursos gerados pelo CCT
- Bilheteria dos eventos e exposições
- Aluguel dos espaços
- Taxas dos cursos do Centro de Formação Profissional
- Venda dos direitos de imagem e publicidade
- Venda direta de serviços: banco de imagens, assessoria, etc.
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